Talvez você não seja preguiçoso.
Talvez sua mente apenas esteja cansada há anos.
Durante grande parte da minha vida eu acreditei que era preguiçoso.
E acredito que isso começou ainda na infância.
Porque quando você é criança, seus pais parecem saber tudo sobre a vida. Então quando eles repetem várias vezes frases como:
“Você é inteligente, deixe de preguiça e vá estudar.”
ou
“Isso é preguiça.”
você acaba acreditando.
E sinceramente?
Eu também repeti isso com minha filha mais velha antes de entender minha própria mente.
Hoje percebo o quanto essa palavra pode machucar alguém que já vive tentando lutar contra si mesmo todos os dias.

O problema nunca foi falta de inteligência
Uma das coisas que mais me impressionavam era observar pessoas conseguindo estudar, manter foco e produzir com aparente facilidade.
Enquanto isso, eu lutava contra:
- distrações,
- sono,
- procrastinação,
- excesso de pensamentos,
- falta de energia mental.
E olha que naquela época nem existia celular para roubar nossa atenção o tempo inteiro.
Mas existia algo dentro da minha mente que parecia desligar quando a tarefa não fazia sentido emocional para mim.
Minha mente cansava antes do meu corpo
Hoje entendo isso com muita clareza.
Quando algo era monótono, sem propósito ou sem estímulo, meu cérebro começava literalmente a desligar.
Aulas me davam sono.
Missas me davam sono.
Reuniões longas me davam sono.
Ler livros sempre foi praticamente uma terapia para dormir.
Curiosamente, filmes me prendiam completamente.
Porque existia emoção.
Movimento.
Estímulo.
Narrativa.
Se um professor fazia algo diferente, lúdico ou empolgante, o sono desaparecia imediatamente e a aula virava algo incrível para mim.
Mas quando tudo parecia sem vida…
minha energia sumia.
E durante muitos anos achei que isso era preguiça.
Hoje entendo que muitas vezes era apenas uma mente entrando em fadiga mental profunda.
O cansaço invisível de quem pensa demais
Existe um tipo de cansaço que não é físico.
É mental.
É emocional.
É cognitivo.
Hoje mesmo, às vezes chego em casa depois do trabalho completamente esgotado mentalmente.
Não porque carreguei peso.
Mas porque absorvi problemas o dia inteiro.
Problemas do trabalho.
Da família.
Da vida.
Preocupações.
Ansiedade.
Responsabilidades.
Minha mente processa tudo o tempo inteiro.
E isso cansa.
Muitas vezes meu corpo ainda conseguiria continuar…
mas minha mente pede pausa.Às vezes só preciso:
- rezar um pouco,
- conversar com Deus,
- deitar alguns minutos,
- desligar do mundo vendo algo simples no Instagram.
Enquanto isso, outra parte da minha cabeça me cobra:
“Você precisa ir para academia.”
E eu vou.
Porque hoje entendo que academia, para mim, é mais do que estética.
É remar contra a correnteza.
Contra o envelhecimento.
Contra o tempo.
Contra a acomodação.
Contra a perda da minha própria identidade.
A procrastinação não me deixava descansar
Talvez uma das maiores mentiras sobre procrastinação seja achar que quem procrastina está relaxando.
Eu nunca relaxava.
Quando deixava algo para depois, minha mente continuava me cobrando o tempo inteiro.
“Você ainda não fez.”
“Vai dar problema.”
“Vai fazer quando?”
“Resolve logo isso.”
Então eu não fazia…
e também não descansava.
Ficava preso naquele limbo mental horrível.
E durante anos me culpei por isso.
O excesso de pensamentos também esgota
Hoje percebo que minha mente sempre trabalhou em excesso.
Penso:
- no passado,
- no futuro,
- no que pode acontecer,
- no que pode dar errado,
- no que preciso resolver,
- em como proteger quem amo.
E talvez isso tenha aumentado ainda mais depois que me tornei pai.
Descobri que meu grande dom é:
- cuidar,
- proteger,
- prover.
Essa virou minha prioridade de vida.
Mas olhando para mim hoje, percebo também que talvez eu tenha aprendido excesso de cautela dentro de casa.
Minha mãe sempre nos protegeu muito.
Até hoje, com quase 50 anos, ela ainda liga querendo saber se cheguei bem em casa.
E sem perceber comecei a reproduzir isso com meus filhos.
Mas hoje me observo mais.
Porque entendo que proteção demais também pode prender.
Pode limitar.
Pode impedir as pessoas de viverem sem medo.
E talvez eu mesmo tenha me desconectado de mim nesse processo.
Em algum momento eu deixei de existir para mim mesmo
Essa talvez seja uma das reflexões mais difíceis que já fiz.
Percebi que em algum momento da vida deixei de cultivar partes minhas que me faziam feliz.
Quando era jovem:
- eu surfava por horas,
- dançava,
- me divertia,
- vivia o presente.
Hoje minha alegria está muito mais em ver meus filhos bem.
E isso é bonito.
Mas também me fez perceber algo doloroso: em algum momento alguém me roubou de mim.
Ou talvez eu mesmo tenha me abandonado enquanto tentava ser o pai perfeito, responsável e protetor.
E sinceramente?
Ainda estou aprendendo a resolver isso dentro de mim.
Depois do diagnóstico tudo mudou
Hoje minha visão sobre preguiça mudou completamente.
Claro que todo mundo sente preguiça às vezes.
Isso é humano.
O problema é quando aquilo começa a destruir:
- sua vida,
- sua autoestima,
- seus relacionamentos,
- sua produtividade,
- seus sonhos.
Aí talvez não seja preguiça.
Talvez seja uma mente pedindo ajuda.
Depois do diagnóstico eu me transformei praticamente no oposto daquilo que acreditava ser.
Hoje sou visto como:
- alguém produtivo,
- presente,
- rápido,
- focado,
- comprometido.
Passei a chegar mais cedo.
Produzir mais.
Entregar mais.
E principalmente:
parei de lutar contra minha mente sem entendê-la.
O que eu diria para alguém que se sente incapaz de produzir
Procure ajuda.
Estude.
Pesquise.
Entenda quem você é.
Existe muito material bom hoje disponível na internet.
Busque pessoas que inspirem você a crescer.
Pessoas que tragam conhecimento verdadeiro.
Porque informação muda vidas.
No meu caso, estudar sobre TDAH mudou completamente a forma como me enxergava.
E talvez essa seja a maior mensagem que quero deixar:
Você não precisa ser melhor do que os outros.
Mas também não precisa aceitar viver abaixo daquilo que é capaz de se tornar.
Se permita melhorar.
Se permita competir de igual para igual com a vida.
Porque muita gente passou anos acreditando que era preguiçosa…
quando na verdade apenas estava mentalmente exausta sem saber o motivo.

Deixe um comentário