Durante muitos anos achei que meu problema era preguiça.

Hoje entendo que talvez minha mente apenas estivesse exausta.

Se existe uma sensação que me acompanhou durante praticamente toda a vida foi:
sono.

Mas não aquele sono normal de quem dormiu pouco.

Era um sono estranho.
Pesado.
Quase automático.

Um desligamento mental.

E durante muitos anos eu não consegui entender o motivo.


O sono aparecia nos momentos mais improváveis

Na escola.

Na faculdade.

Em reuniões.

Na missa.

Depois do almoço.

Lendo.

Assistindo aulas.

Principalmente em atividades longas, repetitivas ou sem estímulo emocional.

E o mais curioso:
se algo despertasse meu interesse…
o sono desaparecia imediatamente.

Bastava:

  • uma aula dinâmica,
  • uma conversa interessante,
  • uma ideia nova,
  • um assunto estimulante,
  • um desafio,

e minha mente acordava completamente.

Foi aí que comecei a perceber que talvez meu cansaço não fosse apenas físico.


Minha mente desligava quando não encontrava sentido

Hoje entendo isso com muito mais clareza.

Tarefas sem emoção, novidade ou propósito pareciam drenar minha energia mental.

Era como se meu cérebro começasse lentamente a entrar em modo de economia de energia.

Tudo ia ficando pesado:

  • concentração,
  • atenção,
  • raciocínio,
  • foco.

Até os olhos começavam a querer fechar.


Eu desenvolvi estratégias para sobreviver acordado

E talvez essa seja uma das partes mais curiosas da minha vida.

Porque durante anos fui criando pequenas “gambiarras” para conseguir funcionar normalmente.

Muito café.

Muito mesmo.

Lavar o rosto.

Levantar.

Caminhar.

Energético.

Principalmente Monster antes de viagens longas.

Inclusive já tomei energético para fazer viagens curtas de apenas duas horas com medo de dormir dirigindo.

Hoje olhando para trás percebo o quanto isso era sério.

Mas na época parecia apenas:

“Meu jeito de funcionar.”


O bocejo virou motivo de vergonha

Talvez poucas pessoas entendam isso.

Mas eu sentia vergonha de bocejar o tempo inteiro em reuniões.

Parecia desinteresse.
Falta de vontade.
Preguiça.

Então comecei até a desenvolver técnicas para bocejar sem que ninguém percebesse.

Hoje parece engraçado.

Mas naquela época era tentativa de sobrevivência social.

Porque eu queria parecer:

  • atento,
  • interessado,
  • profissional,
  • presente.

Mesmo quando minha mente lutava contra um cansaço absurdo.


O pior não era o sono

Era a culpa

Porque junto com o cansaço vinha a sensação de inadequação.

Eu me perguntava:

  • “Por que todo mundo consegue e eu não?”
  • “Por que meu cérebro desliga?”
  • “Por que tarefas simples me esgotam tanto?”

Então durante anos associei isso à preguiça.

E sinceramente?
Muita gente ao meu redor também.


O cérebro cansava antes do corpo

Hoje consigo explicar isso melhor.

Meu corpo muitas vezes ainda tinha energia.

Mas minha mente já estava esgotada.

Excesso de pensamentos.
Excesso de estímulos.
Excesso de processamento mental.

Minha cabeça parecia trabalhar o tempo inteiro.

Então talvez aquele sono fosse apenas:

um cérebro pedindo pausa.


O mais curioso era o “reset” de cinco minutos

Existia uma coisa muito estranha comigo.

Às vezes bastavam:

  • cinco minutos de cochilo,
  • um pequeno descanso,
  • fechar os olhos rapidamente,

e eu voltava completamente diferente.

Como se meu cérebro tivesse reiniciado.

Um verdadeiro reboot mental.

Na época eu não entendia isso.

Hoje percebo que minha mente provavelmente já estava operando no limite há muito tempo.


Depois do diagnóstico algo mudou drasticamente

Talvez uma das mudanças mais impressionantes da minha vida tenha sido justamente essa:

o sono desapareceu.

Principalmente:

  • nas reuniões,
  • no trabalho,
  • depois do almoço,
  • em momentos de foco.

Pela primeira vez consegui permanecer presente sem lutar contra minha própria mente.

E sinceramente?
Isso foi libertador.

Porque junto com o fim do sono veio:

  • clareza,
  • foco,
  • presença,
  • energia mental,
  • autoestima.

O silêncio mental também descansou meu cérebro

Hoje entendo que o problema nunca foi apenas dormir pouco.

Minha mente nunca descansava de verdade.

Mesmo parado eu continuava:

  • pensando,
  • criando cenários,
  • antecipando problemas,
  • resolvendo coisas mentalmente.

Então talvez o sono excessivo fosse apenas consequência de uma mente hiperativa funcionando em sobrecarga permanente.


Nem todo sono é apenas sono

E isso foi uma das maiores lições da minha vida.

Às vezes o corpo está cansado.

Mas às vezes:

  • a mente está saturada,
  • o cérebro está sobrecarregado,
  • a atenção está esgotada,
  • a ansiedade consumiu energia demais.

E nesses casos dormir parece quase um mecanismo de defesa.


O que eu diria para alguém que vive cansado o tempo inteiro

Primeiro:
não normalize isso.

Não ache que viver exausto mentalmente é apenas “seu jeito”.

Observe:

  • quando o sono aparece,
  • quais ambientes drenam sua energia,
  • quais tarefas desligam sua mente,
  • quais estímulos despertam você.

Porque muitas vezes o problema não é falta de capacidade.

Talvez seja apenas uma mente funcionando sem equilíbrio há anos.

E sinceramente?
Descobrir isso mudou completamente minha vida.

Porque hoje percebo que eu não precisava aprender a ser menos preguiçoso.

Eu precisava aprender a entender meu cérebro.


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